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Carlos Drummond de Andrade
Carlos Drummond de Andrade
nasceu em Itabira do Mato Dentro - MG, em 31 de outubro de 1902. De uma família
de fazendeiros em decadência, estudou na cidade de Belo Horizonte e com os jesuítas
no Colégio Anchieta de Nova Friburgo RJ, de onde foi expulso por
"insubordinação mental". De novo em Belo Horizonte, começou a
carreira de escritor como colaborador do Diário de Minas, que aglutinava
os adeptos locais do incipiente movimento modernista mineiro.
Ante a insistência familiar para que obtivesse um diploma, formou-se em farmácia
na cidade de Ouro Preto em 1925. Fundou com outros escritores A Revista,
que, apesar da vida breve, foi importante veículo de afirmação do modernismo
em Minas. Ingressou no serviço público e, em 1934, transferiu-se para o Rio de
Janeiro, onde foi chefe de gabinete de Gustavo Capanema, ministro da Educação,
até 1945. Passou depois a trabalhar no Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico
Nacional e se aposentou em 1962. Desde 1954 colaborou como cronista no Correio
da Manhã e, a partir do início de 1969, no Jornal do Brasil.
O modernismo não chega a ser dominante nem mesmo nos primeiros livros de Drummond,
Alguma poesia (1930) e Brejo das almas (1934), em que o
poema-piada e a descontração sintática pareceriam revelar o contrário. A
dominante é a individualidade do autor, poeta da ordem e da consolidação,
ainda que sempre, e fecundamente, contraditórias. Torturado pelo passado,
assombrado com o futuro, ele se detém num presente dilacerado por este e por
aquele, testemunha lúcida de si mesmo e do transcurso dos homens, de um ponto
de vista melancólico e cético. Mas, enquanto ironiza os costumes e a
sociedade, asperamente satírico em seu amargor e desencanto, entrega-se com
empenho e requinte construtivo à comunicação estética desse modo de ser e
estar.
Vem daí o rigor, que beira a obsessão. O poeta trabalha sobretudo com o tempo,
em sua cintilação cotidiana e subjetiva, no que destila do corrosivo. Em Sentimento
do mundo (1940), em José (1942) e sobretudo em A rosa do povo
(1945), Drummond lançou-se ao encontro da história contemporânea e da
experiência coletiva, participando, solidarizando-se social e politicamente,
descobrindo na luta a explicitação de sua mais íntima apreensão para com a
vida como um todo. A surpreendente sucessão de obras-primas, nesses livros,
indica a plena maturidade do poeta, mantida sempre.
Várias obras do poeta foram traduzidas para o espanhol, inglês, francês,
italiano, alemão, sueco, tcheco e outras línguas. Drummond foi
seguramente, por muitas décadas, o poeta mais influente da literatura
brasileira em seu tempo, tendo também publicado diversos livros em prosa.
Em mão contrária traduziu os seguintes autores estrangeiros: Balzac (Les
Paysans, 1845; Os camponeses), Choderlos de Laclos (Les Liaisons dangereuses,
1782; As relações perigosas), Marcel Proust (La Fugitive, 1925; A fugitiva),
García Lorca (Doña Rosita, la soltera o el lenguaje de las flores, 1935; Dona
Rosita, a solteira), François Mauriac (Thérèse Desqueyroux, 1927; Uma gota de
veneno) e Molière (Les Fourberies de Scapin, 1677; Artimanhas de Scapino).
Alvo de admiração irrestrita, tanto pela obra quanto pelo seu comportamento
como escritor, Carlos Drummond de Andrade morreu no Rio de Janeiro RJ, no
dia 17 de agosto de 1987, poucos dias após a morte de sua filha única, a
cronista Maria Julieta Drummond de Andrade.
Cronologia:
1902 - Nasce em Itabira do
Mato Dentro, Estado de Minas Gerais; nono filho de Carlos de Paula Andrade,
fazendeiro, e D. Julieta Augusta Drummond de Andrade.
1910 - Inicia o curso primário no Grupo Escolar Dr. Carvalho Brito. em Belo
Horizonte, onde conhece Gustavo Capanema e Afonso Arinos de Melo Franco.
1916 - Aluno interno no Colégio Arnaldo, da Congregação do Verbo Divino, Belo
Horizonte.
1917 - Toma aulas particulares com o professor Emílio Magalhães, em Itabira.
1918 - Aluno interno no Colégio Anchieta da Companhia de Jesus em Nova
Friburgo; é laureado em "certames literários". Seu irmão Altivo
publica, no único exemplar do jornalzinho Maio, seu poema em prosa
"ONDA".
1919 - Expulso do Colégio Anchieta mesmo depois de ter sido obrigado a
retratar-se. Justificativa da expulsão: "insubordinação mental".
1920 - Muda-se com a família para Belo Horizonte.
1921 - Publica seus primeiros trabalhos na seção "Sociais" do Diário
de Minas. Conhece Milton Campos, Abgar Renault, Emílio Moura, Alberto
Campos, Mário Casassanta, João Alphonsus, Batista Santiago, Aníbal Machado,
Pedro Nava, Gabriel Passos, Heitor de Sousa e João Pinheiro Filho, todos freqüentadores
do Café Estrela e da Livraria Alves.
1922 - Ganha 50 mil réis de prêmio pelo conto "Joaquim do Telhado"
no concurso Novela Mineira. Publica trabalhos nas revistas Todos e Ilustração
Brasileira.
1923 - Entra para a Escola de Odontologia e Farmácia de Belo Horizonte.
1924 - Escreve carta a Manuel Bandeira, manifestando-lhe sua admiração.
Conhece Blaise Cendrars, Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral e Mário de
Andrade no Grande Hotel de Belo Horizonte. Pouco tempo depois inicia a
correspondência com Mário de Andrade, que durará até poucos dias antes da
morte de Mário.
1925 - Casa-se com a senhorita Dolores Dutra de Morais, a primeira ou segunda
mulher a trabalhar num emprego (como contadora numa fábrica de sapatos), em
Belo Horizonte. Funda, junto com Emílio Moura e Gregoriano Canedo, A
Revista, órgão modernista do qual saem 3 números. Conclui o curso de
Farmácia mas não exerce a profissão, alegando querer "preservar a saúde
dos outros".
1926 - Leciona Geografia e Português no Ginásio Sul-Americano de Itabira. Volta
para Belo Horizonte, por iniciativa de Alberto Campos, para trabalhar como
redator-chefe do Diário de Minas. Heitor Villa Lobos, sem conhecê-lo, compõe
uma seresta sobre o poema "Cantiga de Viúvo".
1927 - Nasce, no dia 22 de março, mas vive apenas meia hora, seu filho Carlos
Flávio.
1928 - Nasce, no dia 4 de março, sua filha Maria Julieta, quem se tornará sua
grande companheira ao longo da vida. Publica na Revista de Antropofagia de
São Paulo, o poema "No meio do caminho", que se torna um dos maiores
escândalos literários do Brasil. 39 anos depois publicará "Uma pedra no
meio do caminho - Biografia de um poema", coletânea de críticas e matérias
resultantes do poema ao longo dos anos. Torna-se auxiliar de redação da
Revista do Ensino da Secretaria de Educação.
1929 - Deixa o Diário de Minas para trabalhar no Minas Gerais, órgão oficial
do Estado, como auxiliar de redação e pouco depois, redator, sob a direção
de Abílio Machado.
1930 - Publica seu primeiro livro, "Alguma Poesia", em edição de 500
exemplares paga pelo autor, sob o selo imaginário "Edições
Pindorama", criado por Eduardo Frieiro. Auxiliar de Gabinete do Secretário
de Interior Cristiano Machado; passa a oficial de gabinete quando seu amigo
Gustavo Capanema substitui Cristiano Machado.
1931 - Falece seu pai, Carlos de Paula Andrade, aos 70 anos.
1933 - Redator de A Tribuna. Acompanha Gustavo Capanema quando este é
nomeado Interventor Federal em Minas Gerais.
1934 - Volta a ser redator dos jornais Minas Gerais, Estado de Minas e Diário
da Tarde, simultaneamente. Publica "Brejo das Almas" em edição
de 200 exemplares, pela cooperativa Os Amigos do Livro. Muda-se, com D.
Dolores e Maria Julieta, para o Rio de Janeiro, onde passa a trabalhar como
chefe de gabinete de Gustavo Capanema, novo Ministro de Educação e Saúde Pública.
1935 - Responde pelo expediente da Diretoria-Geral e é membro da Comissão de
Eficiência do Ministério da Educação.
1937 - Colabora na Revista Acadêmica, de Murilo Miranda.
1940 - Publica "Sentimento do Mundo" em tiragem de 150 exemplares,
distribuídos entre os amigos.
1941 - Assina, sob o pseudônimo "O Observador Literário", a seção
"Conversa Literária" da revista Euclides. Colabora no suplemento
literário de A Manhã, dirigido por Múcio Leão e mais tarde por Jorge
Lacerda.
1942 - A Livraria José Olympio Editora publica "Poesias". O Editor
José Olympio é o primeiro a se interessar pela obra do poeta.
1943 - Traduz e publica a obra Thérèse Desqueyroux, de François Mauriac, sob
o título de "Uma gota de veneno".
1944 - Publica "Confissões de Minas", por iniciativa de Álvaro Lins.
1945 - Publica "A Rosa do Povo" pela José Olympio e a novela "O
Gerente". Colabora no suplemento literário do Correio da Manhã e na
Folha Carioca. Deixa a chefia de gabinete de Capanema, sem nenhum atrito
com este e, a convite de Luís Carlos Prestes, figura como editor do diário
comunista, então fundado, Imprensa Popular, junto com Pedro Mota Lima, Álvaro
Moreyra, Aydano Do Couto Ferraz e Dalcídio Jurandir. Meses depois se afasta do
jornal por discordar da orientação do mesmo. É chamado por Rodrigo M.F.
de Andrade para trabalhar na Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico
Nacional, onde mais tarde se tornará chefe da Seção de História, na Divisão
de Estudos e Tombamento.
1946 - Recebe o Prêmio pelo Conjunto de Obra, da Sociedade Felipe d'Oliveira. Sua
filha Maria Julieta publica a novela "A Busca", pela José Olympio.
1947 - É publicada sua tradução de "Les liaisons dangereuses", de
Choderlos De Laclos, sob o título de "As relações perigosas".
1948 - Publica "Poesia até agora". Colabora em Política e
Letras, de Odylo Costa, filho. Falece Julieta Augusta Drummond de Andrade, sua mãe.
Comparece ao enterro em Itabira que acontece ao mesmo tempo em que é executada
no Teatro Municipal do Rio de Janeiro a obra "Poema de Itabira" de
Heitor Villa-Lobos, composta sobre seu poema "Viagem na Família".
1949 - Volta a escrever no jornal Minas Gerais. Sua filha Maria Julieta casa-se
com o escritor e advogado argentino Manuel Graña Etcheverry e passa a residir
em Buenos Aires, onde desempenhará, ao longo de 34 anos, um importante trabalho
de divulgação da cultura brasileira.
1950 - Vai a Buenos Aires para o nascimento de seu primeiro neto, Carlos Manuel.
1951 - Publica "Claro Enigma", "Contos de Aprendiz" e
"A mesa". É publicado em Madrid o livro "Poemas".
1952 - Publica "Passeios na Ilha" e "Viola de Bolso".
1953 - Exonera-se do cargo de redator do Minas Gerais, ao ser estabilizada sua
situação de funcionário da DPHAN. Vai a Buenos Aires para o nascimento
de seu neto Luis Mauricio, a quem dedica o poema "A Luis Mauricio
infante". É publicado em Buenos Aires o livro "Dos Poemas",
com tradução de Manuel Graña Etcheverry, genro do poeta.
1954 - Publica "Fazendeiro do Ar & Poesia até agora". Aparece sua
tradução para "Les paysans", de Balzac. Realiza na Rádio
Ministério de Educação, em diálogo com Lya Cavalcanti, a série de palestras
"Quase memórias". Inicia no Correio da Manhã a série de crônicas
"Imagens", mantida até 1969.
1955 - Publica "Viola de Bolso novamente encordoada".
1956 - Publica "50 Poemas escolhidos pelo autor". Aparece sua
tradução para "Albertine disparue", de Marcel Proust.
1957 - Publica "Fala, amendoeira" e "Ciclo".
1958 - Publica-se em Buenos Aires uma seleção de seus poemas na coleção
"Poetas del siglo veinte". É encenada e publicada a sua tradução
de "Doña Rosita la soltera" de Federico García Lorca, pela qual
recebe o Prêmio Padre Ventura, do Círculo Independente de Críticos Teatrais.
1960 - Nasce seu terceiro neto, Pedro Augusto, em Buenos Aires. A
Biblioteca Nacional publica a sua tradução de "Oiseaux-Mouches
orthorynques du Brèsil" de Descourtilz. Colabora em Mundo Ilustrado.
1961 - Colabora no programa Quadrante da Rádio Ministério da Educação,
instituído por Murilo Miranda. Falece seu irmão Altivo.
1962 - Publica "Lição de coisas", "Antologia Poética" e
"A bolsa & a vida". É demolida a casa da Rua Joaquim Nabuco
81, onde viveu 36 anos. Passa a morar em apartamento. São publicadas suas
traduções de "L'Oiseau bleu" de Maurice Maeterlink e de "Les
fouberies de Scapin", de Molière, esta última é encenada no Teatro
Tablado do Rio de Janeiro. Recebe novamente o Prêmio Padre Ventura. Se
aposenta como Chefe de Seção da DPHAN, após 35 anos de serviço público,
recebendo carta de louvor do Ministro da Educação, Oliveira Brito.
1963 - É lançada sua tradução de "Sult" (Fome) de Knut Hamsun.
Recebe os Prêmios Fernando Chinaglia, da União Brasileira de Escritores, e Luísa
Cláudio de Sousa, do PEN Clube do Brasil, pelo livro "Lição de
coisas". Colabora no programa Vozes da Cidade, instituído por Murilo
Miranda, na Rádio Roquete Pinto, e inicia o programa Cadeira de Balanço, na Rádio
Ministério da Educação. Viaja, com D. Dolores, a Buenos Aires durante as
férias.
1964 - Publica a primeira edição da "Obra Completa", pela Aguilar.
1965 - São lançados os livros "Antologia Poética", em Portugal;
"In the middle of the road", nos Estados Unidos; "Poesie",
na Alemanha. Publica, em colaboração com Manuel Bandeira, "Rio de Janeiro
em prosa & verso". Colabora em Pulso.
1966 - Publica "Cadeira de balanço", e na Suécia é lançado
"Naten och rosen".
1967 - Publica "Versiprosa", "Mundo vasto mundo", com tradução
de Manuel Graña Etcheverry, em Buenos Aires e publicação de "Fyzika
strachu" em Praga.
1968 - Publica "Boitempo & A falta que ama". Membro
correspondente da Hispanic Society of America, Estados Unidos.
1969 - Deixa o Correio da Manhã e começa a escrever para o Jornal do Brasil.
Publica "Reunião (10 livros de poesia)".
1970 - Publica "Caminhos de João Brandão".
1971 - Publica "Seleta em prosa e verso". Edição de
"Poemas" em Cuba.
1972 - Viaja a Buenos Aires com D. Dolores para visitar a filha, Maria Julieta.
Publica "O poder ultrajovem". Jornais do Rio, São Paulo, Belo
Horizonte e Porto Alegre publicam suplementos comemorativos do 70º aniversário
do poeta.
1973 - Publica "As impurezas do branco", "Menino Antigo -
Boitempo II", "La bolsa y la vida", em Buenos Aires, e "Réunion",
em Paris.
1974 - Recebe o Prêmio de Poesia da Associação Paulista de Críticos Literários.
Membro honorário da American Association of Teachers of Spanish and Portuguese,
Estados Unidos.
1975 - Publica "Amor, Amores". Recebe o Prêmio Nacional Walmap de
Literatura e recusa, por motivo de consciência, o Prêmio Brasília de
Literatura, da Fundação Cultural do Distrito Federal.
1977 - Publica "A visita", "Discurso de primavera e algumas
sombras" e "Os dias lindos". Grava 42 poemas em 2 long
plays, lançados pela Polygram. Edição búlgara de "UYBETBO BA
CHETA" (Sentimento do Mundo).
1978 - Publica "70 historinhas" e "O marginal Clorindo
Gato". Edições argentinas de "Amar-amargo" e "El
poder ultrajoven".
1979 - Publica "Poesia e Prosa", 5ª edição, revista e atualizada,
pela editora Nova Aguilar. Viaja a Buenos Aires por motivo de doença de
sua filha Maria Julieta. Publica "Esquecer para lembrar - Boitempo
III".
1980 - Recebe os Prêmios Estácio de Sá, de jornalismo, e Morgado Mateus
(Portugal), de poesia. Edição limitada de "A paixão medida".
Noite de autógrafos na Livraria José Olympio Editora para o lançamento
conjunto da edição comercial de "A paixão medida" e "Um buquê
de Alcachofras", de Maria Julieta Drummond de Andrade; o poeta e sua filha
autografam juntos na Casa José Olympio. Edição de "En rost at
folket", Suécia. Edição de "The minus sign", Estados Unidos.
Edição de "Gedichten" Poemas, Holanda.
1981 - Publica "Contos Plausíveis" e "O pipoqueiro da
esquina". Edição inglesa de "The minus sign".
1982 - Ano do 80º aniversário do poeta. São realizadas exposições
comemorativas na Biblioteca Nacional e na Casa de Rui Barbosa, no Rio de
Janeiro. Os principais jornais do Brasil publicam suplementos comemorando a
data. Recebe o título de Doutor honoris causa pela Universidade Federal do Rio
Grande do Norte. Edição mexicana de "Poemas". A cidade do Rio de
Janeiro festeja a data com cartazes de afeto ao poeta. Publica "A lição
do amigo - Cartas de Mário de Andrade a Carlos Drummond de Andrade", com
notas do destinatário. Publicação de "Carmina drummondiana",
poemas de Drummond traduzidos ao latim por Silva Bélkior.
1983 - Declina do troféu Juca Pato. Publica "Nova Reunião (19 livros de
poesia)", último livro do poeta publicado, em vida, pela Casa José
Olympio.
1984 - Despede-se da casa do velho amigo José Olympio e assina contrato com a
Editora Record, que publica sua obra até hoje. Também se despede do Jornal do
Brasil, depois de 64 anos de trabalho jornalístico, com a crônica
"Ciao". Publica, pela Editora Record, "Boca de Luar" e
"Corpo".
1985 - Publica "Amar se aprende amando", "O observador no escritório"
(memórias), "História de dois amores" (livro infantil) e "Amor,
sinal estranho". Edição de "Frän oxen tid", Suécia.
1986 - Publica "Tempo, vida, poesia". Edição de "Travelling in
the family", em New York, pela Random House. Escreve 21 poemas para a
edição do centenário de Manuel Bandeira, preparada pela editora Alumbramento,
com o título "Bandeira, a vida inteira". Sofre um infarto e é
internado durante 12 dias.
1987 - No 31 de janeiro escreve seu último poema, "Elegia a um tucano
morto" que passa a integrar "Farewell", último livro organizado
pelo poeta. É homenageado pela escola de samba Estação Primeira de
Mangueira, com o samba enredo "No reino das palavras", que vence o
Carnaval 87. No dia 5 de agosto, depois de 2 meses de internação, falece
sua filha Maria Julieta, vítima de câncer. "E assim vai-se indo a família
Drummond de Andrade" - comenta o poeta. Seu estado de saúde piora. 12 dias
depois falece o poeta, de problemas cardíacos e é enterrado no mesmo túmulo
que a filha, no Cemitério São João Batista do Rio de Janeiro. O poeta
deixa obras inéditas: "O avesso das coisas" (aforismos), "Moça
deitada na grama", "O amor natural" (poemas eróticos),
"Viola de bolso III" (Poesia errante), hoje publicados pela Record;
"Arte em exposição" (versos sobre obras de arte),
"Farewell", além de crônicas, dedicatórias em verso coletadas pelo
autor, correspondência e um texto para um espetáculo musical, ainda sem título.
Edições de "Moça deitada na grama", "O avesso das coisas"
e reedição de "De notícias e não notícias faz-se a crônica" pela
Editora Record. Edição de "Crônicas - 1930-1934". Edição de
"Un chiaro enigma" e "Sentimento del mondo", Itália. Publicação
de "Mundo Grande y otros poemas", na série Los grandes poetas, em
Buenos Aires.
1988 - Publicação de "Poesia Errante", livro de poemas inéditos,
pela Record.
1989 - Publicação de "Auto-retrato e outras crônicas", edição
organizada por Fernando Py. Publicação de "Drummond: frente e
verso", edição iconográfica, pela Alumbramento, e de "Álbum para
Maria Julieta", edição limitada e fac-similar de caderno com originais
manuscritos de vários autores e artistas, compilados pelo poeta para sua filha. A
Casa da Moeda homenageia o poeta emitindo uma nota de 50 cruzeiros com seu
retrato, versos e uma auto-caricatura.
1990 - O Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) organiza uma exposição
comemorativa dos 60 anos da publicação de "Alguma Poesia". Palestras
de Manuel Graña Etcheverry, "El erotismo en la poesía de Drummond"
no CCBB e de Affonso Romano de Sant'Anna, "Drummond, um gauche no
mundo". Encenação teatral de "Mundo, vasto mundo", com Tônia
Carrero, o coral Garganta e Paulo Autran, sob a direção deste no Teatro II do
CCBB. Encenação de "Crônica Viva", com adaptação de João
Brandão e Pedro Drummond, no CCBB. Edição da antologia
"Itabira", em Madrid, pela editora Visor. Edição limitada de
"Arte em exposição", pela Salamandra. Edição de "Poésie",
pela editora Gallimard, França.
1991 - Publicação de "Obra Poética", pela editora Europa-América,
em Portugal.
1992 - Edição de "O amor natural", de poemas eróticos, organizada
pelo autor, com ilustrações de Milton Dacosta e projeto gráfico de Alexandre
Dacosta e Pedro Drummond. Publicação de "Tankar om ordet menneske",
Noruega. Edição de "Die liefde natuurlijk" (O amor natural) na
Holanda.
1993 - Publicação de "O amor natural", em Portugal, pela editora
Europa-América. Prêmio Jabuti pelo melhor livro de poesia do ano, "O
amor natural".
1994 - Publicação pela Editora Record de novas edições de "Discurso de
primavera" e "Contos plausíveis". No dia 2 de julho falece
D. Dolores Morais Drummond de Andrade, viúva do poeta, aos 94 anos.
1995 - Encenação teatral de "No meio do caminho...", crônicas e
poemas do poeta com roteiro e adaptação de João Brandão e Pedro Drummond.
Lançamento de um selo postal em homenagem ao poeta. Drummond na era
digital, publicação de uma pequena antologia em 5 idiomas sob o título de
"Alguma Poesia", no World Wide Web , Internet, na data de seu 93º
aniversário. Projeto do CD-ROM "CDA-ROM", que visa a publicar, em
ambiente interativo e com os recursos da multimídia, os 40 poemas recitados
pelo autor, uma iconografia baseada na coleção de fotografias do poeta,
entrevistas em vídeo e um curta-metragem.
1996 - Lançamento do livro Farwell, último organizado pelo poeta, no
Centro Cultural do Banco do Brasil do Rio de Janeiro, com a apresentação de
Joana Fomm e José Mayer. Esse livro é ganhador do Prêmio Jabuti.
1997 - Primeira edição interativa do livro "O Avesso das Coisas".
1998 - Inauguração do Museu de Território Caminhos Dummondianos em Itabira.
No dia 31 de outubro é inaugurado o Memorial Carlos Drummond de Andrade,
projeto do arquiteto Oscar Niemeyer, no Pico do Amor da cidade de Itabira. Prêmio
in memorian Medalha do Sesquicentenário da Cidade de Itabira.
1999 - I Forum Itabira Século XXI — Centenário Drummond, realizado na cidade
de Itabira. Lançamento do CD "Carlos Drummond de Andrade por Paulo
Autran", pelo selo Luz da Cidade.
2000 - Inaugurada a Biblioteca Carlos Drummond de Andrade do Colégio Arnaldo de
Belo Horizonte. Lançamento do CD "Contos de aprendiz por Leonardo
Vieira", pelo selo Luz da Cidade. Estréia no dia 31 de outubro o espetáculo
"Jovem Drummond", estrelado por Vinícius de Oliveira, no teatro da
Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade e Itabira (Secretaria de Cultura
do Município). Lançamento do CD "História de dois amores - contadas por
Odete Lara", pela gravadora Luz da Cidade. Encenação pela Comédie Française
da peça de Molière Les Fourberies de Scapin, com tradução do
biografado, nos teatros Municipal do Rio de Janeiro e Municipal de São Paulo.
Lançamento do projeto "O Fazendeiro do Ar", com o "balão
Drummond", na Lagoa Rodrigo de Freitas - Rio de Janeiro. II Fórum Itabira
Século XXI — Centenário Drummond, realizado em outubro na cidade de Itabira.
Homenagem in memoriam Medalha comemorativa dos 70 anos do MEC. Homenagem
dos Ex-Alunos da Universidade Federal de Minas Gerais.
Movimento Literário:
Contemporâneo - Brasil.
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