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MILLÔR FERNANDES
"Acreditar
que não acreditamos em nada é crer na crença do
descrer".
"Millôr
Fernandes nasceu. Todo o seu aprendizado, desde a mais
remota infância. Só aos 13 anos de idade, partindo de
onde estava. E também mais tarde, já homem formado. No
jornalismo e nas artes gráficas, especialmente. Sempre,
porém, recusou-se, ou como se diz por aí. Contudo, no
campo teatral, tanto então quanto agora. Sem a menor
sombra de dúvida. Em todos seus livros publicados vê-se
a mesma tendência. Nunca, porém diante de reprimidos. De
78 a 89, janeiro a fevereiro. De frente ou de perfil, como
percebeu assim que terminou seu curso secundário. Quando
o conheceu em Lisboa, o ditador Salazar, o que não
significa absolutamente nada. Um dia, depois de um longo
programa de televisão, foi exatamente o contrário.
Amigos e mesmo pessoas remotamente interessadas - sem
temor nenhum. Onde e como, mas talvez, talvez — Millôr,
porém, nunca. Isso para não falar em termos públicos.
Mas, ao ser premiado, disse logo bem alto - e realmente não
falou em vão. Entre todos os tradutores brasileiros. Como
ninguém ignora. De resto, sempre, até o Dia a Dia”.
("Currículo"
publicado por Millôr quando de sua estréia no jornal
"O Dia", Rio (RJ).
Considerado
"um dos poucos escritores universais que possuímos",
na opinião do crítico Fausto Cunha, filho de Francisco
Fernandes e de Maria Viola Fernandes, Millôr Fernandes
nasceu no dia 16 de agosto de 1923 no Méier, subúrbio do
Rio de Janeiro, com o nome de Milton Viola Fernandes. Só
seria registrado no ano seguinte, tendo como data oficial
de nascimento o dia 27 de maio de 1924. Sua certidão de
nascimento, grafada à mão, fazia crer que seu nome era
Millôr e não Milton. Seu pai, engenheiro emigrante da
Espanha, morre em 1925, com apenas 36 anos. A família
começa a passar por dificuldades e sua mãe passa horas
em frente a uma máquina de costura para poder sustentar
os 4 filhos. Apesar do aperto, o autor teve uma infância
feliz, ao lado de 10 tios, 42 primos e primas e da avó
italiana D. Concetta de Napole Viola.
Estuda
na Escola Ennes de Souza, de 1931 a 1935, por ele chamada
de Universidade do Meyer, mas que na verdade era uma
escola pública. Diz dever tudo o que sabe a sua
professora, Isabel Mendes, depois diretora e hoje nome da
escola. Se emociona ao falar sobre ela "...uma
mulatinha magra e devotada, que me ensinou tudo que se
deve aprender de um professor ou de uma escola: a gostar
de estudar. Depois disso, pode-se ser autodidata. Escola,
a não ser para campos técnicos/experimentais, é
praticamente inútil".
A
chegada ao Brasil das histórias em quadrinhos, em 1934,
faz de Millôr um leitor assíduo dessas publicações, em
especial de Flash Gordon, de autoria de Alex Raymond, e,
com isso, dar vazão à sua criatividade. Sob a influência
de seu tio Antônio Viola, tem seu primeiro trabalho
publicado em um órgão da imprensa — "O
Jornal", do Rio de Janeiro, tendo recebido o
pagamento de 10 mil reis por ele. Era o início do
profissionalismo, adotado e defendido para sempre.
Em
1935, também com 36 anos, falece sua mãe, o que faz com
que os irmãos Fernandes passem a levar uma vida dificílima.
Essa coincidência de datas leva Millôr a escrever um
conto, "Agonia", publicado na revista
"Cigarra" em janeiro de 1947, onde afirmava:
"Tenho dia e hora marcada para me ir e o
acontecimento se dará por volta de 1959". A morte da
mãe o leva a morar em Terra Nova, subúrbio próximo ao Méier,
com o tio materno Francisco, sua mulher Maria e quatro
filhos.
Trabalha,
em 1938, com o Dr. Luiz Gonzaga da Cruz Magalhães Pinto,
entregando o remédio para os rins "Urokava" em
farmácias e drogarias. Durou pouco esse emprego. Logo vai
ser contínuo, repaginador, factótum, na pequena revista
"O Cruzeiro", que nessa época tinha, além de
Millôr, mais dois funcionários: um diretor e um
paginador. A revista, anos depois, chegou a vender mais de
750.000 exemplares. Com o pseudônimo "Notlim"
ganha um concurso de crônicas promovido pela revista
"A Cigarra". Com isso, é promovido e passa a
trabalhar no arquivo.
O
cancelamento de publicidade em quatro páginas de "A
Cigarra" fez com que fosse chamado por Frederico
Chateaubriand para preencher as páginas que ficaram em
branco. Cria, então, o "Poste Escrito", onde
assinava-se Vão Gôgo. O sucesso da seção faz com que
ela passe a ser fixa. Com o mesmo pseudônimo, começa a
escrever uma coluna no "Diário da Noite".
Assume a direção de "A Cigarra", cargo que
ocuparia por três anos. Dirigiu também "O
Guri", revista em quadrinhos e "Detetive",
que publicava contos policiais.
Ciente
da necessidade de se aprimorar, estuda no Liceu de Artes e
Ofícios do Rio de Janeiro de 1938 a 1943.
Em
1940, muda-se para o bairro da Lapa, centro da cidade, e
passa a morar próximo a Alceu Pena, seu colega em "O
Cruzeiro". Colabora na seção "As garotas do
Alceu" como colorista e versejador
Autodidata,
faz sua primeira tradução literária: "Dragon
seed", romance da americana Pearl S. Buck, com o título
"A estirpe do dragão", em 1942.
No ano
seguinte retorna, com Frederico Chateaubriand e Péricles,
à revista "O Cruzeiro". Em dez anos, a tiragem
foi um grande êxito editorial, passando de 11 mil para
mais de 750 mil exemplares semanais.
Em
1945, inicia a publicação de seus trabalhos na revista
"O Cruzeiro", na seção "O Pif-Paf",
sob o pseudônimo de Vão Gôgo e com desenhos de Péricles.
No ano
seguinte lança "Eva sem costela — Um livro em
defesa do homem", sob o pseudônimo de Adão Júnior.
Sua
colaboração para "O Cruzeiro", em 1947, atinge
a marca de dez seções por semana.
Em
1948 viaja aos Estados Unidos, onde encontra-se com Walt
Disney, Vinicius de Moraes, o cientista César Lates e a
estrela Carmen Miranda. Casa-se com Wanda Rubino.
Publica
"Tempo e Contratempo", com o pseudônimo de
Emmanuel Vão Gôgo, em 1949. Assina seu primeiro roteiro
cinematográfico, "Modelo 19". O filme, lançado
com o título "O amanhã será melhor", ganha
cinco prêmios Governador do Estado de São Paulo. Millôr
é agraciado com o de melhores diálogos.
Em
1951, na companhia de Fernando Sabino, viaja de carro pelo
Brasil, durante 45 dias. Lança a revista semanal
"Voga", que teve apenas cinco números.
Viaja
pela Europa por quatro meses, em 1952.
"Uma
mulher em três atos", sua primeira peça, estréia
no Teatro Brasileiro de Comédia, em São Paulo (SP), em
1953.
No ano
seguinte, compra o imóvel que se tornaria famoso —
"a cobertura do Millôr", no bairro de Ipanema,
onde o escritor até hoje vive. Nasce seu filho Ivan.
Em
1955, divide com o desenhista norte-americano Saul
Steinberg o primeiro lugar da Exposição Internacional do
Museu da Caricatura de Buenos Aires, Argentina. Escreve
“Do tamanho de um defunto”, que estreou no Teatro de
Bolso (Rio) e, depois, adaptado pelo próprio autor para o
cinema, tendo o filme o título de “Ladrão em noite de
chuva”. Nesse ano escreve “Bonito como um deus”, que
estréia no Teatro Maria Della Costa, em São Paulo (SP),
e ainda “Um elefante no caos” e “Pigmaleoa”.
Em
1956, Millôr passa a ilustrar todos os seus textos
publicados na revista "O Cruzeiro".
No ano
de 1957, o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro recebe
exposição individual do biografado. Realiza a cenografia
de “As guerras do alecrim e da manjerona”. Esse
trabalho foi premiado pelo Serviço Nacional de Teatro no
ano de 1958.
Nesse
ano, conclui a primeira tradução teatral: “Good
people”, então intitulada “A fábula de Brooklin —
Gente como nós”. Fez parte do grupo que
"implantou" o frescobol no posto 9, Ipanema, Rio
de Janeiro.
Escreve
o roteiro de “Marafa”, a partir do romance homônimo
de Marques Rebello. Em 1959. No mesmo ano, apresenta na TV
Itacolomi, de Belo Horizonte, a convite de Frederico
Chateaubriand, uma série de programas intitulada
“Universidade do Méier”, na qual desenhava enquanto
fazia comentários. Posteriormente, o programa foi
transferido para a TV Tupi do Rio de Janeiro, com o título
de “Treze lições de um ignorante” e suspenso por
ordem do governo Juscelino Kubitschek após uma crítica
à primeira dama do país: Disse Millôr: "Dona Sarah
Kubitschek chegou ontem ao Brasil depois de 5 meses de
viagem à Europa e foi condecorada com a Ordem do Mérito
do Trabalho." Nasce sua filha, Paula.
Nos
anos seguintes, já integrado à intelectualidade carioca,
convive com Péricles, criador de "O Amigo da Onça",
Nelson Rodrigues, David Nasser, Jean Manson, Alfredo
Machado, Fernando Chateaubriand, Emil Farhat e Accioly
Netto, entre outros.
Em
1960, depois de resolvidos os problemas com a censura,
estréia no Teatro da Praça, no Rio, ”Um elefante no
caos”. O título original da peça era “Um elefante no
caos ou Jornal do Brasil ou, sobretudo, Por que me ufano
do meu país” rendeu a Millôr o prêmio de “Melhor
Autor” da Comissão Municipal de Teatro. O filme “Amor
para três”, com roteiro do biografado, baseado em
“Divórcio para três”, de Victorien Sardou, é
dirigido por Carlos Hugo Christensen. Millôr colaboraria
com esse diretor em mais três filmes: “Esse Rio que eu
amo”, 1962, Crônica da cidade amada”, 1965, e O
menino e o vento, 1967.
Expõe,
em 1961, desenhos na Petit Galerie, no Rio. Viaja ao Egito
e retorna antes do previsto, tendo em vista a renúncia do
presidente Jânio Quadros. Trabalha por 7 dias no jornal
"Tribuna da Imprensa", Rio, que mais tarde
pertenceu a seu irmão Hélio Fernandes. Foi demitido por
ter escrito um artigo sobre a corrupção na imprensa. Os
editores, o poeta Mário Faustino e o jornalista Paulo
Francis pediram também demissão em solidariedade.
No ano
seguinte, na edição de 10 de março de “O Cruzeiro”,
“demite” Vão Gôgo e passa a assinar Millôr. A
Amstutz & Herder Graphic Press, importante publicação
de Zurique, dedica uma página de seu anuário ao autor.
“Pigmaleoa” é apresentada, sob a direção de Adolfo
Celi, no Teatro Rio.
Em
1963, escreve a peça teatral “Flávia, cabeça, tronco
e membros”. Viaja a Portugal e, durante sua ausência, a
revista “O Cruzeiro” publica editorial no qual se
isenta de responsabilidade pela publicação de “História
do Paraíso”, que obteve repercussão negativa por parte
dos leitores católicos da revista. Millôr deixa a
revista e começa a trabalhar no jornal “Correio da Manhã”,
lá ficando até o ano seguinte.
A
partir de 1964, e até 1974, colabora semanalmente no
jornal Diário Popular, de Portugal. A página mereceria o
seguinte comentário de um ministro de Salazar: "Este
tem piada, pena que escreva tão mal o português".
Lança a revista “Pif-Paf”, considerada o início da
imprensa alternativa no Brasil. Foi fechada em seu oitavo
número, por problemas financeiros.
Volta
à TV, em 1965, como apresentador na TV Record, ao lado de
Luis Jatobá e Sérgio Porto (Stanislaw Ponte Preta), do
“Jornal de Vanguarda”. “Liberdade liberdade” estréia
no Teatro Opinião, no Rio, musical escrito em parceria
com Flávio Rangel.
Composta
pelo biografado, a canção “O homem” é defendida no
II Festival de Música Popular Brasileira, promovido pela
TV Record, por Nara Leão, em 1966. Monta, ao ar livre, no
Largo do Boticário, Rio, só com atores negros, sua
adaptação de “Memórias de um sargento de milícias”.
Em
1968 atua, ao lado de Elizeth Cardoso e do Zimbo Trio, em
“Do fundo do azul do mundo”, espetáculo musical de
sua autoria. Passa a colaborar com a revista “Veja”.
Na sua
estréia, apresentou-se com o texto que abaixo
reproduzimos parcialmente:
SUPERMERCADO
MILLÔR
ANO I
- N.º 1
(Autobiografia
De Mim Mesmo À Maneira De Mim Próprio)
"E
lá vou eu de novo, sem freio nem pára-quedas. Saiam da
frente, ou debaixo que, se não estou radioativo, muito
menos estou radiopassivo. Quando me sentei para escrever
vinha tão cheio de idéias que só me saíam gêmeas, as
palavras — reco-reco, tatibitate, ronronar, coré-coré,
tom-tom, rema-rema, tintim-por-tintim. Fui obrigado a
tomar uma pílula anticoncepcional. Agora estou bem, já não
dói nada. Quem é que sou eu? Ah, que posso dizer? Como
me espanta! Já não fazem Millôres como antigamente!
Nasci pequeno e cresci aos poucos. Primeiro me fizeram os
meios e, depois, as pontas. Só muito tarde cheguei aos
extremos. Cabeça, tronco e membros, eis tudo. E não me
revolto. Fiz três revoluções, todas perdidas. A
primeira contra Deus, e ele me venceu com um sórdido
milagre. A segunda com o destino, e ele me bateu,
deixando-me só com seu pior enredo. A terceira contra mim
mesmo, e a mim me consumi, e vim parar aqui.”
”...
Dou um boi pra não entrar numa briga. Dou uma boiada pra
sair dela....Aos quinze (anos) já era famoso em várias
partes do mundo, todas elas no Brasil. Venho, em linha
reta, de espanhóis e italianos. Dos espanhóis herdei a
natural tentação do bravado, que já me levou a procurar
colorir a vida com outras cores: céu feito de conhas de
metal roxo e abóbora, mar todo vermelho, e mulheres
azuis, verdes ciclames. Dos italianos que,
tradicionalmente, dão para engraxates ou artistas, eu
consegui conciliar as duas qualidades, emprestando um
brilho novo ao humor nativo. Posso dizer que todo o País
já riu de mim, embora poucos tenham rido do que é
meu.”
”Sou
um crente, pois creio firmemente na descrença. ...Creio
que a terra é chata. Procuro não sê-lo. ...Tudo o que não
sei sempre ignorei sozinho. Nunca ninguém me ensinou a
pensar, a escrever ou a desenhar, coisa que se percebe
facilmente, examinando qualquer dos meus trabalhos.”
”A
esta altura da vida, além de descendente e vivo, sou,
também, antepassado. É bem verdade que, como Adão e
Eva, depois de comerem a maçã, não registraram a idéia,
daí em diante qualquer imbecil se achou no direito de
fazer o mesmo. Só posso dizer, em abono meu, que ao
repetir o Senhor, eu me empreguei a fundo. Em suma: um
humorista nato. Muita gente, eu sei, preferiria que eu
fosse um humorista morto, mas isso virá a seu tempo. Eles
não perdem por esperar.”·
Ainda
em 1968 escreve o texto do show “Momento 68”,
promovido pela empresa Rhodia, que contou com a participação
de Caetano Veloso, Walmor Chagas e Lennie Dale, entre
outros.
No ano
seguinte, participa do grupo fundador de “O Pasquim”.
Fernanda
Montenegro estrela “Computa, computador, computa”, no
Teatro Santa Rosa, no Rio, em 1972. Lança o livro “Esta
é a verdadeira história do Paraíso” e também
“Trinta anos de mim mesmo”, numa sessão de autógrafos
denominada “Noite da contra-incultura”.
Em
1975, faz exposição de 25 quadros “em branco, mas com
significado”, na Galeria Grafitti, no Rio.
No ano
seguinte, escreve para Fernanda Montenegro a peça “É...”,
que se tornou o grande sucesso teatral de Millôr ao ser
encenada no Teatro Maison de France, no Rio.
Em
1977, realiza nova exposição de seus trabalhos no Museu
de Arte Moderna do Rio de Janeiro.
Adapta,
no ano seguinte, para o formato de musical a peça “Deus
lhe pague”, de Joracy Camargo, que contou com Bibi
Ferreira na direção e com músicas de Edu Lobo e
Vinicius de Moraes. É homenageado pelo 5º Salão de
Humor de Piracicaba (SP), mas “exige” que a honraria
seja “para todos os humoristas na pessoa de Millôr
Fernandes”. Em Brasília, para o Museu da Moeda,
localizado no Banco Central do Brasil, produz quatro painéis
que contam a história
do dinheiro.
Estréia
no Teatro dos Quatro, Rio, a peça “Os órfãos de Jânio”,
em 1980.
Publica
“Desenhos”, uma compilação de seus trabalhos gráficos,
com textos de apresentação de Pietro Maria Bardi e Antônio
Houaiss, em 1981.
O ano
de 1982 é de muito trabalho. O autor escreve e publica a
peça “Duas tábuas e uma paixão”. Traduz a opereta
“A viúva alegre”, de Franz Lear, apresentada no
Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Tetê Medina monta
“A eterna luta entre o homem e a mulher”, no Teatro
Clara Nunes – Rio. Escreve a adaptação de “A chorus
line”, encenado por Walter Clark. Estréia “Vidigal:
Memórias de um sargento de milícias”. São dele, nessa
peça, os cenários, figurinos e letras, musicadas por
Carlos Lyra. Com Flávio Rangel, escreve e representa o
espetáculo “O gesto, a festa, a mensagem”, na TV
Record de São Paulo. Deixa a revista “Veja”.
Em
1983, é homenageado pela Escola de Samba Acadêmicos do
Sossego, de Niterói (RJ). Millôr não comparece ao
desfile. Passa a colaborar com a revista “Istoé”.
Lança
“Poemas”, em 1984. Estréia o musical “O MPB4 e o
dr. Çobral vão em busca do mal”.
No ano
seguinte, colabora com o Jornal do Brasil. Lança o “Diário
da Nova República”. É montada a peça “Flávia, cabeça,
tronco e membros” no Teatro Ginástico – Rio.
Passa
a usar o computador para escrever e desenhar, em 1986.
Escreve, com Geraldo Carneiro e Gilvan Pereira, o roteiro
do filme “O judeu”, dirigido por Jom Tob Azulay,
baseado na vida de António José da Silva. Rodado em
Portugal, só seria concluído em 1995.
”L’anné
82 au Brésil: le regard critique de Millôr Fernandes”
(O ano de 82 no Brasil: o olhar crítico de Millôr
Fernandes), é o tema de tese de doutoramento de Françoise
Duprat na Universidade de Toulouse-Le Mirail II, França,
em 1987.
No ano
seguinte, lança “The cow went to the swamp / A vaca foi
para o brejo”. Na Universidade de São Paulo (USP),
Branca Granatic defende, na dissertação de mestrado,
“Os recursos humorísticos de Millôr Fernandes”.
Em
1990, nasce seu neto, Gabriel, filho de Ivan.
Deixa
a revista “Istoé” e o Jornal do Brasil, em 1992.
No ano
de 1994, lança “Millôr definitivo — A bíblia do
caos”.
Escreve
a peça “Kaos”, Adapta para a Rede Globo “Memórias
de um sargento de milícias”. A partir de um argumento
de Walter Salles, escreve o roteiro “Últimos diálogos”,
em 1995.
Em
1996, passa a colaborar nos jornais “O Dia” (RJ), “O
Estado de São Paulo” (SP) e “Correio Braziliense”
(DF). Neste último, trabalharia somente até o fim do
ano.
Em
1998, em parceria com Geraldo Carneiro e Jom Tob Azulay,
assina o roteiro de “Mátria”.
No ano
seguinte, começa a adaptar “Os três mosqueteiros”,
de Dumas, para o formato de musical, trabalho que não
chegou a ser concluído.
Em
2000, escreve o roteiro de “Brasil! Outros 500 — Uma
PoopÓpera”, que teve sua estréia no Teatro Municipal
de São Paulo. O espetáculo contava com músicas de
Toquinho e Paulo César Pinheiro e arranjos de Wagner
Tiso. Deixa de colaborar com “O Estado de São Paulo”
e “O Dia”. Passa a colaborar com coluna semanal na
“Folha de São Paulo”. Lança o site “Millôr On
Line” (http://www.millor.com.br) .
No ano
seguinte, deixa a “Folha de São Paulo” e volta ao
“Jornal do Brasil”.
Em
2002, publica “Crítica da razão impura ou O primado da
ignorância”, em que analisa as obras “Brejal dos
Guajas e outras histórias”, de José Sarney, e
“Dependência e desenvolvimento na América Latina, de
Fernando Henrique Cardoso. Deixa de colaborar, em
novembro, com o “Jornal do Brasil”.
Em
2003, ilustra “O menino”, volume de contos de João
Uchoa Cavalcanti Netto, e faz cem desenhos para uma nova
compilação das “Fábulas fabulosas”.
Em
2004, lança pela Editora Record, “Apresentações”.
Em
meados de agosto de 2004 é anunciado seu retorno às
folhas da revista semanal “Veja”, a partir de setembro
daquele ano.
Tempos
atrás um jornal publicou que Millôr estava todo cheio de
si por ter recebido, em sua casa, uma carta de um leitor
com o seguinte endereçamento:
"Millôr
Ipanema"
É a
glória!
LIVROS
DO AUTOR:
Prosa:
- "Eva sem costela – Um livro em defesa do
homem" (sob o pseudônimo de Adão Júnior) - 1946 -
Editora O Cruzeiro.
- "Tempo e contratempo" (sob o pseudônimo de
Emmanuel Vão Gogô) - 1949 - Editora O Cruzeiro.
- "Lições de um ignorante" - 1963 - J. Álvaro
Editor
- "Fábulas Fabulosas" - 1964 - J. Álvaro
Editor. Edição revista e ilustrada – 1973 - Nórdica
- "Esta é a verdadeira história do Paraíso" -
1972 - Livraria Francisco Alves
- "Trinta anos de mim mesmo" - 1972 - Nórdica
- "Livro vermelho dos pensamentos de Millôr" -
1973 – Nórdica. Edição revista e ampliada: Senac –
2.000.
- "Compozissõis imfãtis" - 1975 - Nórdica
- "Livro branco do humor" - 1975 – Nórdica
- "Devora-me ou te decifro" – 1976 –
L&PM
- "Millôr no Pasquim" - 1977 – Nórdica
- "Reflexões sem dor" - 1977 - Edibolso.
- "Novas fábulas fabulosas" - 1978 – Nórdica
- "Que país é este?" - 1978 – Nórdica
- "Millôr Fernandes – Literatura comentada".
Organização de Maria Célia Paulillo – 1980 Abril
Educação
- "Todo homem é minha caça" - 1981 - Nórdica
- "Diário da Nova República" - 1985 –
L&PM
- "Eros uma vez" – 1987 – Nórdica –
Ilustrações de Nani
- "Diário da Nova República,v. 2" - 1988 –
L&PM
- "Diário da Nova República, v. 3" – 1988
– L&PM
- "The cow went to the swamp ou A vaca foi pro
brejo" – 1988 - Record
- "Humor nos tempos do Collor" (com L. F. Veríssimo
e Jô Soares) – 1992 – L&PM
- "Millôr definitivo - A bíblia do caos" -
1994 – L&PM
- "Amostra bem-humorada" – 1997 – Ediouro
– Seleção de textos de Maura Sardinha
- "Tempo e contratempo (2ª edição) – Millôr
revisita Vão Gogô" - 1998 - Beca.
- "Crítica da razão impura ou O primado da ignorância
– Sobre Brejal dos Guajas, de José Sarney, e Dependência
e Desenvolvimento na América Latina, de Fernando Henrique
Cardoso" – 2002 – L&PM
- "100 Fábulas Fabulosas" – 2003 – Record
- "Apresentações" – 2004 – Record.
Poesia:
- "Papaverum Millôr" – 1967 – Prelo. Edição
revista e ilustrada: 1974 – Nórdica
- "Hai-kais" – 1968 – Senzala
- "Poemas" – 1984 – L&PM
Artes visuais:
- "Desenhos" – 1981 – Raízes Artes Gráficas.
Prefácio de Pietro Maria Bardi e apresentação de Antônio
Houaiss.
PEÇAS DE TEATRO:
Publicadas em livros:
- "Teatro de Millôr Fernandes (inclui Uma mulher em
três atos [1953], Do tamanho de um defunto [1955], Bonito
como um deus [1955] e A gaivota [1959])" – 1957
–Civilização Brasileira
- "Um elefante no caos ou Jornal do Brasil ou,
sobretudo, Por que me ufano do meu país" – 1962
– Editora do Autor
- "Pigmaleoa" – 1965 – Brasiliense
- "Computa, computador, computa" – 1972 – Nórdica
- "É..." – 1977 – L&PM
- "A história é uma istória" – 1978 –
L&PM
- "O homem do princípio ao fim" – 1982 –
L&PM
- "Os órfãos de Jânio" – 1979 – L&PM
- "Duas tábuas e uma paixão" – 1982 –
L&PM (nunca encenada)
Não editadas:
- "Diálogo da mais perfeita compreensão
conjugal" - 1955
- "Pif, tac, zig, pong"– 1962
- "A viúva imortal" – 1967
- "A eterna luta entre o homem e a mulher" –
1982
- "Kaos" – 1995 (leitura pública em 2001 –
nunca encenada)
ESPETÁCULOS MUSICAIS:
- "Pif-Paf – Edição extra!" – 1952 (com músicas
de Ary Barroso)
- "Esse mundo é meu" – 1965 (em parceria com
Sérgio Ricardo)
- "Liberdade liberdade" – 1965 (em parceria
com Flávio Rangel)
- "Memórias de um sargento de milícias" - 1966
(com músicas de Marco Antonio e Nelson Lins e Barros)
- Momento 68 – 1968
- Mulher, esse super-homem – 1969
- Bons tempos, hein?! – 1979 (publicada pela L&PM -
1979 - Porto Alegre)
- Vidigal: Memórias de um sargento de milícias – 1982
(com músicas de Carlos Lyra)
- De repente – 1984
- O MPB-4 e o Dr. Çobral vão em busca do mal – 1984
- Brasil! Outros 500 – Uma PopÓpera (com músicas de
Toquinho e Paulo César Pinheiro)
TRADUÇÕES:
Romances:
- A estirpe do dragão (Dragon seed), de Pearl S. Buck -
1942 - José Olympio Editora - Rio de Janeiro.
- Nunca saí de casa (I never left home), de Bob Hope -
1945 - O Cruzeiro - Rio de Janeiro.
Textos teatrais:
1958 – "A fábula de Brooklin – Gente como nós",
de Irwin Shaw.
1960 - "O prodígio do mundo Ocidental", de John
M. Synge.
1961 - "Megera domada", de W. Shakespeare.
1961 – "O velho ciumento", de Miguel de
Cervantes.
1963 – "Mary, Mary", de Jean Kerr.
1963 – "Pigmaleão", de G. Bernard Shaw.
1963 – "As preciosas ridículas", de Molière.
1965 - "Pequenos assassinatos", de Jules
Feiffer.
1965 – "A mulher de todos nós", de Henri
Becque.
1965 - "Escola de mulheres", de Molière.
1967 - "Lisistrata", de Aristófanes.
1967 – "Negra meobem", de François Campaux.
1967 – "O assassinato da irmã Geórgia", de
Frank Marcus.
1967 - "Marat Sade", de Peter Weiss.
1967 - "A volta ao lar", de Harold Pinter.
1967 - "Blecaute", de Frederic Knott.
1968 - "A cozinha", de Arnold Wesker.
1970 – "Rapazes da banda", de Mart Crowley.
1971 - "As eruditas", de Molière.
1972 - "Antigamente", de Harold Pinter.
1974 - "Antígona", de Sófocles.
1975 - "Os filhos de Kennedy", de Robert
Patrick.
1976 - "Senhor Puntila e seu criado Matti", de
Bertold Brechet.
1976 – "Vivaldino, servidor de dois amos", de
Carlo Goldoni.
1977 - "A calça", de Carl Sternheim.
1978 - "Quem tem medo de Virginia Wolf?", de
Edward Albee.
1979 - "Afinal, uma mulher de negócios – Liberdade
em Bremen", de R. W. Fassbinder.
1979 - "Palhaços de ouro", de Neil Simon.
1980 – "O rei Lear", de W. Shakespeare.
1980 - "De quem é a vida, afinal?", de Brian
Clark.
1980 - "Gata em telhado de zinco quente", de
Tennessee Williams.
1980 - "A carta", de Somerset Maugham.
1980 - "Ó, Calcutá!", de Kenneth Tynan.
1981 - "As lágrimas amargas de Petra von Kant",
de R. W. Fassbinder.
1981 – Bunny’s Bar, de Josiane Balasko.
1981 - "As alegres matronas de Windsor", de W.
Shakespeare.
1981 - "A senhorita de Tacna", de Mario Vargas
Llosa.
1982 - "Chorus line", de de Michael Bennet.
1982 – "Casamento branco", de Tadeusz
Rozewicz.
1982 – "Hedda Gabler", de Henrik Ibsen.
1982 - "A viúva alegre", de Franz Lehar.
1983 - "A falecida senhora sua mãe", de George
Feydeau.
1983 - "Piaf", de Pam Gems.
1983 - "O jardim das cerejeiras", de Anton
Tchekov.
1983 - "Boa noite, mãe", de Marsha Norman.
1984 - "Grande e pequeno", de Botho Strauss.
1984 - "Pô, Romeu!", de Efraim Kishon.
1984 - "Hamlet", de W. Shakespeare.
1984 - "Tio Vânia", de Anton Tchekov.
1984 – "Dédalo e Ícaro", de Dario Fo.
1984 – "O sacrifício de Isaac", de Dário Fo.
1984 – "A tigresa", de Dário Fó.
1984 – "Gilda, um projeto de vida", de Noel
Coward.
1984 - "Madame Vidal", de Georges Feydeau.
1985 - "Fedra", de Jean Racine.
1985 - "O feitichista", de Michel Tournier.
1985 - "Imaculada", de Franco Scaglia.
1985 - "Sábado, domingo e segunda", de Edoardo
de Filippo.
1985 - "Assim é, se lhe parece", de Luigi
Pirandello.
1986 - "Quarteto", de Heiner Müller.
1986 – "Quatro vezes Beckett", de Samuel
Beckett.
1986 – "Ensina-me a viver", de Collin Higgins.
1987 - "O preço", de Arthur Miller.
1987 - "Filumena Marturano", de Edoardo de
Filippo.
1987 - "Vestir os nus", de Pirandello.
1988 - "Encontrarse", de Pirandello.
1987 – "La mamma ou O belo Antônio", de
Vitaliano Francatti.
1994 - "Don Juan, o convidado de pedra", de Molière.
1996 - "Anna Magnani", de Armand Meffre.
1996 – "Paloma", de Jean Anouilh.
1996 – "Master class", de Terence McNally.
1999 - "Últimas luas", de Furio Bordon.
2001 – "Fim de jogo", de S. Beckett.
Traduções
para o teatro publicadas:
- "A megera domada", de W.Shakespeare - 1965 -
Letras e Artes
- "Sr. Puntila e seu criado Matti", de B.Brecht
- 1966 - Civilização.Brasileira
- "O prodígio do mundo ocidental", de John M.
Synge - 1968 – Braziliense
- "Escola de mulheres", de Molière - 1973 – Nórdica
- "Os filhos de Kennedy", de R. Patrick - 1975
– Nórdica
- "A volta ao lar", de Harold Pinter – 1976
– Abril Cultural
- "Lisistrata", de Aristófanes – 1977 –
Abril Cultural
- "O rei Lear", de W. Shakespeare – 1981 –
L&PM
- "A senhorita de Tacha", de Mário Vargas Llosa
– 1981 – Francisco Alves
- "Afinal, uma mulher de negócios – Liberdade em
Bremen", de R. W. Fassbinder – 1983 – L&PM
- "As lágrimas amargas de Petra von Kant", de
R. W. Fassbinder – 1983 – L&PM
- "Hamlet", de W. Shakespeare – 1984 –
L&PM
- "Fedra", de J. Racine – 1985 – L&PM
- "Don Juan, o convidado de pedra", de Molière
– 1994 – L&PM
- "As alegres matronas de Windsor", de W.
Shakespeare – 1995 – L&PM
- "Antígona", de Sófocles – 1996 – Paz e
Terra
- "As eruditas", de Molière – 2003 –
L&PM.
FÁBULA:
- "A ovelha negra e outras fábulas", de Augusto
Monterroso – 1983 – Record, ilustrações de Jaguar.
HUMOR:
- "A completa lei de Murphy", de Arthur Bloch
– 1996 – Record – ilustrações de Jaguar.
EXPOSIÇÕES:
1957 - Exposição no Museu de Arte Moderna - Rio.
1961 - Exposição na Petite Galerie - Rio.
1975 - Exposição de desenhos na Galeria Grafitti - Rio.
1977 - Exposição "Visão da Terra" no Museu de
Arte Moderna - Rio.
MULTIMÍDIA:
2000 - "Em Busca da Imperfeição" - CD-Rom -
Neder & Associados / Oficina / Universo Online (UOL).
ROTEIROS PARA O CINEMA:
Individuais:
1952 – "Modelo 19". Lançado como “O amanhã
será melhor”, também conhecido como “Uma ponte de
esperança”. Direção de Armando Couto.
1960 – "Amor para três". Direção de Carlos
Augusto Christensen.
1960 – "Ladrão em noite de chuva". Direção
de Armando Couto.
1962 – "Esse Rio que eu amo". Direção de
Carlos Augusto Christensen.
1965 – "Crônica da cidade amada". Direção
de Carlos Augusto Christensen.
1967 – "O menino e o vento". Direção de
Carlos Augusto Christensen.
1995 – "Últimos diálogos". Ainda não
filmado (2004).
Em parceria:
1995 - "O judeu". Com Geraldo Carneiro e Gilvan
Pereira. Direção de Jom Tob Azulay.
1998 - "Matria”. Com Geraldo Carneiro e Jom Tob
Azulay (Ainda não filmado – 2004).
Colaboração:
1995 – "Terra estrangeira". Direção de
Walter Salles e Daniela Thomas (diálogos adicionais).
ADAPTAÇÃO PARA A TELEVISÃO:
- "Memórias de um sargento de milícias".
Baseado no musical “Vidigal”. Direção de Mauro
Mendonça Filho, Rede Globo de Televisão – 1995.
INTERNET:
2000 – Millôr Online (http://www.millor.com.br).
ILUSTRAÇÕES:
- "Maurício, o leão de menino", de Flávia
Mari. São Paulo - 1981 – Summus.
- "Sapomorfose ou O príncipe que coaxava", de
Cora Rónai. Rio de Janeiro – 1983 – Salamandra.
- "O caderno rosa de Lori Lamby", de Hilda
Hilst. São Paulo – 1990 – Massao Ohno.
- "O menino, de João Uchoa Cavalcanti Netto".
Rio de Janeiro – 2003 – Editora Rio.
COMPOSIÇÃO MUSICAL:
1966 – "O homem". Apresentada por Nara Leão
no II Festival de Música Brasileira, da TV Record de São
Paulo.
Movimento Literário:
Contemporâneo - Brasil.
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