|
NA ÂNSIA DE
QUERER
"Na
ânsia de querer ter a certeza do que somos, racionalizamos
sobre tudo, buscamos algo no nosso passado que justifique nosso jeito de ser,
temos necessidade de relacionar tudo o que sentimos com nosso background
original e perseguimos conclusões.
Buscamos
uma ferida de antigamente para justificar as dores atuais. É como se o ser
humano adulto fosse uma seqüela ambulante.
Buscamos
compreensão para tudo, mas devemos aprender a ser mais condescendente com a
nossa própria alma. É um alívio nos livrarmos sobre o que nos aflige e
simplesmente aceitar que as coisas são como são, que nós
somos o que conseguimos ser, com nossas grandezas e fraquezas, nossos erros e
acertos, nossa sensatez e nossas neuroses. Conhecer a si mesmo não significa
ter todas as respostas. Significa conviver pacificamente com nosso lado tortuoso
sem permitir que ele seja torturante. O aprendizado é constante e as deficiências
alheias são gritantes, mas o mais difícil é convivermos com nossas
deformidades sem o ímpeto de querermos consertar o mundo.
Todos
têm feridas mal cicatrizadas. Feridas que deixam marcas na alma e algumas até
marcas no corpo, visíveis a olho nu. Como chegaríamos até aqui sem elas? A
vida nos atinge, penetra, encharca, chamusca: tudo nos traz conseqüências. E não
há o que lamentar. Vida é dor, superação, alegria, intensidade, emoção.
Uma montanha-russa ininterrupta, uma vertigem sem fim, onde cada um,
individualmente experimenta a sua própria sensação.
Têm
coisas na vida da gente que as palavras não contam;
Têm
dias na vida da gente que as idéias não faltam;
Têm
horas na vida da gente que os relógios não marcam;
Têm gente na vida da gente que o tempo não esquece."
(Desconheço
o Autor)
|